Biólogo de formação, Allysson Pontes Pinheiro é hoje referência, dentro e fora do Brasil, nas áreas de paleontologia e gestão de geoparques. O êxito de sua carreira está ligado à sólida formação que recebeu em sua trajetória acadêmica, que incluiu o grau de mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências do câmpus da Unesp em Botucatu.
Atualmente, ele atua como professor adjunto na Universidade Regional do Cariri (URCA) e é diretor do renomado Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN).
Allysson graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 2000. Em 2004, concluiu o mestrado em Ciências Biológicas, na área de Zoologia, no Instituto de Biociências da Unesp em Botucatu. Durante essa etapa, pôde aprimorar o rigor metodológico com que conduz suas pesquisas de organismos animais, habilidade que serviu de base para o seu trabalho atual envolvendo taxonomia, biodiversidade e fósseis.
Ele relata que, após a conclusão da graduação em Biologia pela UFRN, sua perspectiva era seguir trabalhando na área de biologia marinha e crustáceos. No Instituto de Biociências de Botucatu está sediado um grupo de pesquisa com atuação muito forte nessa temática: o NEBEC, núcleo de estudos em biologia, ecologia e cultivo de animais aquáticos e crustáceos.
“Um professor da Unesp nos visitou na UFRN, e eu o conheci. Ele deixou as portas abertas para quem quisesse se candidatar a uma vaga no mestrado. O meu orientador à época da graduação me ajudou, me deu o suporte e nós tentamos. Vim a Botucatu. Na verdade, já tinha outro colega de Natal também fazendo mestrado com o grupo. Isso facilitou a caminhada. Vim, fiz a seleção, passei, fiquei. E foi uma das boas escolhas da minha vida, porque me inseri em um grupo superprodutivo, bem conceituado, que me abriu inúmeras portas”, relata Allysson.
Sua dissertação de mestrado investigou a ecologia de comunidades de camarões do litoral do estado de São Paulo. O estudo, que abrangia regiões como Ubatuba e Caraguatatuba, envolveu a realização de coletas mensais para monitorar camarões e outros organismos marinhos.
“A gente queria entender como esses camarões se distribuíam no litoral e quais fatores ecológicos influenciavam essa distribuição. A ideia era juntar informações que pudessem subsidiar melhor o manejo pesqueiro e também entender as dinâmicas populacionais específicas desses grupos e suas interações. Descobrir em qual época eles apareciam, qual espécie era mais abundante, em qual época essas espécies migravam, e se era mais pelo raso ou mais no fundo, quais as áreas preferenciais de ocorrência… Foi bem complexo, mas também foi o meu trabalho até hoje mais citado, com mais de 100 citações. Realmente é o que gerou maior impacto científico”, avalia.
Destaques no Nordeste do Brasil
Para expandir seu campo de atuação, Pontes titulou-se doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2008. Após consolidar sua formação no Sudeste, o pesquisador direcionou seus esforços para o Nordeste brasileiro, tornando-se professor na URCA.
A região do Cariri cearense é famosa mundialmente por abrigar um dos maiores e mais preservados depósitos fossilíferos do planeta. Como diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, na cidade de Santana do Cariri, o biólogo passou a coordenar os esforços de preservação, combate ao tráfico de fósseis e divulgação científica.
Sua atuação projetou-o como uma liderança na URCA e no Museu de Paleontologia. Sob sua liderança, o museu tornou-se o lar oficial de importantes peças repatriadas de outros países, como a França, o que contribuiu para fortalecer a soberania científica nacional. No campo da pesquisa, ele comanda o Laboratório de Crustáceos do Semiárido (LACRUSE), que lhe permite conectar seu antigo amor pela zoologia à ecologia moderna da região.
Projeção Internacional e o Selo UNESCO
A expertise desenvolvida em suas diferentes frentes de atuação no Cariri levou o egresso da Unesp a ocupar posições de destaque nas áreas de diplomacia e governança científica global. O biólogo foi eleito como membro titular do Conselho Global de Geoparques da UNESCO e atua diretamente na avaliação, acompanhamento e reconhecimento de territórios com o selo de Geoparque Mundial.
Em âmbito nacional, o egresso da pós-graduação da Unesp atua também como diretor científico do Geopark Araripe. Trata-se do primeiro geoparque das Américas certificado pela UNESCO, reconhecimento que contribui para impulsionar o turismo científico na região do Cariri.
“Acabei por me instalar em uma das regiões mais importantes do mundo do ponto de vista de patrimônio fossilífero, que é a bacia do Aaripe. Isso me possibilitou ingressar num programa UNESCO de desenvolvimento regional sustentável, que é o programa Geoparques Mundiais. Hoje sou diretor do Museu de Paleontologia da nossa universidade e também integro o Conselho Global de Geoparques. Somos doze especialistas. Ao Conselho cabe avaliar todos os projetos de geoparques do mundo. Isso inclui tanto os casos dos que desejam obter esse reconhecimento como aqueles que desejam permanecer nessa categoria, e para isso precisam passar por avaliações periódicas”, diz.
A trajetória vitoriosa do pesquisador ilustra os retornos positivos que o investimento em cursos de pós-graduação de excelência pode gerar no sentido de formar recursos humanos e lideranças capazes de proteger a riqueza natural do Brasil e definir rumos na ciência internacional.
Conselhos aos jovens pesquisadores
Para os jovens estudantes que estão ingressando no mercado de trabalho, Allysson enfatiza a necessidade de desenvolver traços de comportamento como persistência e responsabilidade.
“O recado é: persistam. Durante o período de formação, encarem as tarefas com responsabilidade. Isso vai fazer diferença para que esses jovens possam se encaixar mais facilmente no mercado de trabalho”, aconselha.
“Vou dizer o que digo aos meus alunos da graduação: encarem esse período na Unesp, seja na graduação ou na pós, como o começo da vida profissional de vocês. Então, se dediquem, porque estarão se dedicando a vocês mesmos. Vão estar criando as bases para que, lá na frente, possam realizar aquilo com que sonharam para a sua vida. Aproveitem esse período na Unesp, que é uma instituição consolidada, de referência. Isso abre muitas portas, mas essas portas só vão se abrir se vocês fizerem o seu dever de casa”, diz.
Confira abaixo a entrevista completa no Podcast Universo Profissional.
