Egresso da Unesp constrói carreira política em Araraquara

Em entrevista ao podcast Universo Profissional, Guilherme Bianco rememora aprendizado em ciências sociais e vivências como coordenador do cursinho popular na Unesp. Período na graduação lhe proporcionou as ferramentas para atuação como vereador, agora em segundo mandato.

Egresso do curso de Ciências Sociais da Unesp de Araraquara, Guilherme Bianco elegeu-se vereador pela Câmara Municipal da cidade em 2020, e atualmente cumpre seu segundo mandato. Sua entrada na vida pública e sua carreira política, explica, só foram possíveis graças à sua passagem pela Unesp. As vivências no ambiente unespiano incluíram o trabalho voluntário no Cursinho Popular CUCA, do qual chegou a ser coordenador, e atuação junto ao Centro Acadêmico Florestan Fernandes.

“Foi na Unesp que tomei contato com uma das principais vias para transformar a nossa realidade”, conta ele, “e aprendi a usar a política como força motriz de transformação social. A Unesp me proporcionou essas oportunidades e, a partir disso, tive a vontade de participar da vida pública”, relata.

Graduado em ciências sociais com licenciatura, foi por meio das atividades de extensão que descobriu a educação. “[No cursinho CUCA] me apaixonei pela educação e pelo modo como ela transforma a vida das pessoas, garante oportunidades e democratiza o acesso ao ensino superior”, conta o vereador. “O curso de licenciatura, e também o cursinho popular, me deram a dimensão mais profunda de que, sem educação, sem um projeto de educação de qualidade para todos os meninos e meninas que frequentam a escola pública no Brasil, não conseguiremos uma transformação verdadeira”, conta.

Guilherme enxerga as universidades como instâncias cruciais para o desenvolvimento da região, bem como do estado de São Paulo e do país. “Eu realmente não consigo compreender a possibilidade de termos um Brasil soberano, de construir um estado de São Paulo justo para todos, com oportunidades no interior, sem a contribuição fundamental da Unesp”, afirma.

Guilherme Bianco na Câmara de Vereadores



O vereador ressalta a importância da decisão de criar cursos que estejam alinhados às necessidades locais. Um exemplo é o da licenciatura em química, que veio ajudar a suprir o déficit de professores da educação básica em Araraquara. “A universidade tem um papel fundamental na formação desses profissionais, que vão impactar a transformação da cidade e a formação de opinião”, diz Guilherme.
 
A atividade não pode prescindir de uma perspectiva científica, pondera. No entanto, hoje vivemos um contexto de forte questionamento ao trabalho dos cientistas. Essa questão tem resultado em embates que marcam a atividade política para o vereador. “Você precisa de dados, de método, de pesquisa de campo, de ouvir os atores envolvidos. Você precisa de pesquisa científica para promover políticas públicas que ataquem diretamente o problema que você quer resolver. É preciso dados e pesquisa qualificada para avançar nas causas da população. […] Há questionamento sobre a importância da universidade. Existe um grupo muito radical na política que se coloca contra a ciência, contra a universidade, contra a compreensão de mundo filosófica que a universidade pública proporciona, e coloca em xeque todo esse conhecimento historicamente construído”, relata.

Do curso de Ciências sociais ele diz ter recebido as ferramentas necessárias para fazer uma análise material e histórica da sociedade de Araraquara. Esta análise é essencial para compreender a trajetória da cidade, que é marcada pela escravidão, pela industrialização e pela chegada da estrada de ferro, e também para atuar sobre ela.

A formação lhe proporcionou também um entendimento do sistema político, com suas regras e mecanismos próprios. Isso lhe permite atuar no cenário com um olhar técnico. “Esse instrumental acadêmico, que é a base do curso, me ajuda a entender qual é a cidade em que vivo e como trabalhar para transformá-la. Sem essa formação profissional, certamente seria muito mais difícil”, explica.

Aos graduandos que examinam um caminho na vida política, Guilherme responde com um conselho entusiasmado: “se joguem”. A política é carente de indivíduos aptos a encarar novos desafios, pois os espaços continuam ocupados por quem age por dinheiro ou interesse próprio. Sua recomendação é que aqueles interessados em se desenvolver como atores políticos se engajem em algum partido ou movimento social, ou ainda no próprio movimento estudantil, como porta de entrada para a vida política. “O caminho é entrar nessas organizações e militar nelas. Esse é o primeiro passo para começar a contribuir na vida pública. O cursinho popular e a universidade também são bons caminhos, mas dentro da cidade existem vários movimentos importantíssimos: movimento LGBTQIAPN+, movimento de defesa animal, movimentos de defesa da cidade, do meio ambiente… Não faltam espaços para ativismo. O que falta é gente boa para ocupar esses espaços”, diz.

Os egressos da Unesp têm a tarefa de devolver à sociedade a oportunidade de ter estudado em uma das melhores universidades do país e contribuir para uma sociedade melhor, pondera Guilherme. “É preciso criar as oportunidades para que outras pessoas também possam cursar a nossa universidade. Para que os filhos e filhas de trabalhadores, e as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, também possam ter essa oportunidade de ocupar espaço na UNESP, fazer um curso, melhorar as condições de vida de sua família e de sua comunidade”, diz. “Defender a Unesp, a USP, a Unicamp e a universidade pública paulista é tarefa de todos que acreditam que sem ciência e desenvolvimento tecnológico não se constrói justiça social.”

Ouça abaixo a íntegra da entrevista