Expansão da pesquisa liderada pela PROPE projetou universidade internacionalmente

Subida da Unesp em rankings estrangeiros reflete profissionalização da gestão e arco amplo de ações, que alcançam da Iniciação Científica até a participação em grandes programas, como o CEPID.

A progressiva expansão da pesquisa na Unesp, nos últimos anos, se reflete em diferentes indicadores, desde o número crescente de artigos em revistas de alto impacto ao posicionamento nos principais rankings do ensino superior. Um dos fatores essenciais para a expansão é a atuação da Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPE), que, ao longo de suas duas décadas de existência, vem estruturando planos de apoio e fomento à atividade científica em todas as unidades da Universidade.

Segundo o professor Edson Cocchieri Botelho, atual pró-reitor de Pesquisa, o crescimento se baseou na crescente profissionalização da gestão das políticas, que abarcam desde a formação de estudantes e jovens pesquisadores até a capacidade de captação de recursos externos. Ele aponta como exemplo o Programa de Iniciação Científica da Unesp, que hoje conta com uma equipe dedicada exclusivamente ao planejamento e desenvolvimento de políticas estratégicas.

Por anos, a Pró-reitoria atuava, essencialmente, como gestora das bolsas de iniciação científica fornecidas pelo CNPq, cuidando da distribuição desses recursos junto à comunidade acadêmica. Desde a gestão anterior, porém, a iniciação científica passou a ser compreendida como um projeto estruturante de política de pesquisa universitária.

Essa mudança levou a PROPE a movimentar-se em busca de outras fontes de recursos para apoiar os estudantes, como a Fapesp e o Programa de Formação de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Essa guinada expandiu o número de estudantes que têm contato com a prática científica desde os primeiros anos de formação. Hoje, o Programa de Iniciação Científica da Unesp é o terceiro maior do país.

“É fundamental, para o nosso futuro, alunos animados e motivados que se envolvam na iniciação à ciência”, afirma o pró-reitor Botelho. “Se formarmos estudantes bem qualificados na graduação, enviaremos pessoas capacitadas para a pós-graduação, que entendem o papel da pesquisa.”

E, desde 2022, a PROPE também mantém o programa Iniciação Científica e Tecnológica no Exterior (ICTEx), no qual estudantes têm a oportunidade de desenvolver parte de seus projetos de pesquisa em instituições parceiras de fora do país. “Essa iniciativa é estratégica para a internacionalização da Universidade, pois fortalece conexões com grupos de pesquisa no exterior”, diz Botelho.

Outro avanço em 2025 foi o início de um projeto piloto de parceria entre a Unesp e universidades chinesas para promover o intercâmbio de estudantes. Sete discentes brasileiros foram enviados à Universidade de Hubei, e a Unesp recebeu oito estudantes chineses. “Houve uma mudança de dinâmica. Antes, a internacionalização se baseava principalmente no envio dos nossos alunos. Agora, existe um fluxo de ida e volta”, explica.

O incentivo à internacionalização é uma política central da atual gestão da PROPE, que vê nesse intercâmbio uma chave para ampliar a qualidade e o alcance do trabalho desenvolvido em nossa Universidade. “Recentemente melhoramos nossa classificação nos rankings mundiais, e um ponto que contribuiu para isso foi o aumento de publicações em periódicos internacionais”, afirma Botelho.

Outra iniciativa que contribuiu para o fortalecimento da pesquisa foi a criação do Edital de Apoio à Publicação Científica com Autoria de Alunos de Iniciação Científica e Tecnológica, Pós-Doutorandos e Assistentes de Suporte Acadêmico da Unesp. Por meio dele, destina-se verba para cobrir os gastos da publicação de artigos científicos em periódicos internacionais.

O custo de publicação em grandes editoras e revistas científicas, como Elsevier, Science e Nature, pode alcançar milhares de dólares. Um dos objetivos do edital é cobrir esses custos, ampliando o acesso a espaços internacionais de publicação científica. Segundo dados do Escritório de Gestão de Dados da Unesp, em 2024 os pesquisadores da universidade publicaram 11.836 artigos; em 2023, esse número foi de 10.036.

Em 2025, a Unesp alcançou sua melhor colocação em rankings internacionais, figurando na sexta posição da América Latina no QS World University Rankings e na terceira colocação entre as universidades brasileiras no THE World University Rankings. A produção individual também se destaca: a Unesp conta com 77 pesquisadores entre os mais influentes do mundo, segundo a Elsevier.

“O avanço nessas posições está diretamente ligado à combinação entre editais de apoio à publicação científica e o estímulo à colaboração entre pesquisadores da Unesp e do exterior”, destaca o gestor. Ele reforça que, em alguns casos, essa conexão já é estabelecida naturalmente, com pesquisadores que têm mais facilidade para integrar o ecossistema acadêmico. Porém, a PROPE desempenha um papel de suporte para aqueles que têm menos certeza sobre quais caminhos seguir. “Nossa função é oferecer o apoio necessário para que mais pesquisadores ampliem suas redes de colaboração”, diz o pró-reitor.

Na outra ponta da formação de pesquisadores, está o estímulo aos pós-doutorandos, que, assim como os estudantes de graduação, também contam com acesso a editais de incentivo à pesquisa. Um dos esforços da PROPE nesse setor foi oferecer bolsas de pesquisa para pós-docs a partir de recursos próprios. “Isso deu um fôlego para os laboratórios de pesquisa, garantindo a presença desses profissionais altamente qualificados”, afirma Botelho.

Atualmente, a Unesp conta com 695 pós-doutores; considerando que o corpo docente da universidade é de 3.182 pessoas, esse número representa cerca de 20% dos professores.

“Esses pesquisadores trazem uma contribuição fantástica. Além das aulas e de auxiliar os pesquisadores seniores, eles ajudam a refletir sobre os novos caminhos para a pesquisa”, diz. A estrutura restabelecida pela PROPE contribuiu para que, hoje, a Unesp desenvolva projetos de pesquisa considerados de grande porte, com financiamentos na casa dos milhões de reais. É o caso do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), sob direção da pesquisadora Patricia Morellato. Criado em 2023, esse é o primeiro Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Unesp, com apoio da Fapesp. A relevância do centro é corroborada por seu tamanho: ele é composto por mais de 100 pesquisadores nacionais e internacionais.

Dentre os temas pesquisados no CBioClima estão a influência das mudanças climáticas na biodiversidade, as possibilidades de integrar práticas de conservação e cadeias produtivas e maneiras de reverter ou mitigar os impactos ambientais.

Além do CEPID, entre 2022 e 2025, a PROPE também auxiliou na captação de mais de R$ 90 milhões via chamadas públicas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), distribuídos em 23 recursos para a pesquisa científica. Isso foi convertido em equipamentos para pesquisas nas faculdades de veterinária, química, odontologia e engenharias, atendendo 11 unidades da Unesp; houve também outros apoios para pesquisas na área de agronomia, agricultura familiar, farmácia, entre outras.

“A Unesp está chegando aos 50 anos tendo se consolidado como universidade de pesquisa”, completa o pró-reitor.

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Este artigo faz parte da série Jornal da Unesp Especial 50 anos do Jornal Unesp. Leia os textos publicados no Jornal da Unesp - edição especial 50 anos da Unesp.

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