Carol Fincatti: talento que irradia dos palcos aos bastidores

Cantora e compositora paulistana se projetou em programas de TV como The Four e The Voice e agora desponta entre destaques da nova MPB. Em paralelo, construiu carreira de destaque na indústria musical e hoje atua junto às produtoras de grandes festivais como Lollapalooza e Rock in Rio.

Cantora e compositora, a paulistana Carol Fincatti vem despontando como um nome promissor da nova MPB e do pop nacional, unindo uma bagagem sólida construída nos bastidores da indústria à sensibilidade artística que transborda suas composições. Seu talento já lhe valeu passagens marcantes pelos principais reality shows de música do país e trabalhos em parceria com ícones da música brasileira. Todas estas experiências ajudaram a consolidar uma identidade artística que combina leveza, vulnerabilidade e sofisticação.

Sua descoberta do universo musical teve início cedo. Ainda na adolescência montou uma banda com o irmão, Rafael, junto ao qual ensaiou seus primeiros passos nas artes.

“Na minha família não havia músicos profissionais. Mas, na casa dos meus avós paternos, tinha um piano incrível. Nos almoços de domingo, a primeira coisa que eu e meu irmão fazíamos era abrir o piano, que era cuidado com o maior carinho pelo meu avô. E cresci escutando muita música. Quando a gente viajava em família, meus pais colocavam CDs de artistas que até hoje são inspirações para mim, como Roupa Nova e Carpenters. E eu e meu irmão sempre tocávamos voz e violão no prédio, montamos a nossa primeira banda eu tinha uns 12 anos. Com o tempo, a paixão pela música foi aumentando. Antes achava que ia ser jogadora de futebol, porque amava jogar. Mas a música tomou uma proporção muito maior na minha vida”, relata.

Aos 16 anos, iniciou os estudos de canto na EM&T Escola de Música e Tecnologia. Graduou-se e participou também das aulas de prática de banda, fazendo suas primeiras apresentações em bares paulistanos. Aos 18 anos, começou a trabalhar na mesma escola de música, cuidando da parte de contatos com empresas de música nas grandes feiras do setor.

Enquanto se desenvolvia profissionalmente, Carol ingressou na faculdade de Relações Públicas com o intuito de trabalhar com organização de eventos. Neste período, também passou a atuar na distribuidora digital ONErpm. Sob sua responsabilidade estavam os lançamentos de artistas importantes dos catálogos de MPB, Pop e Rock, como Nando Reis, Vanessa da Mata, Frejat, Zeca Baleiro e muitos mais. Ficou no cargo por seis anos, ganhando experiência e estabelecendo muitos contatos.

“Naquela época já sabia que minha paixão era a música. Queria continuar cantando, mas meus pais disseram que era importante ter alguma formação, e eu concordei. Quando escolhi Relações Públicas, nem sabia direito o que faz uma profissional de RP. Achei interessante porque o curso é muito amplo. Eu percebi que a comunicação no geral, a publicidade, rádio e TV, marketing, são recursos que poderiam me trazer para o universo da música e dos eventos. Realmente foi um divisor de águas, porque me proporcionaram expertise para funções que exerço hoje. Eu queria expandir as possibilidades, além de ser cantora e tocar. Aprendi muito nesse caminhar. Passei por várias funções e hoje sou coordenadora de parcerias do Lollapalooza Brasil e membro da Rock World, empresa que também administra o Rock in Rio e o The Town”, conta.

Em paralelo a sua atuação no bussiness da música, Carol seguia se apresentando em bares e casamentos, e junto com seu amigo Gabriel Dellilo deu início ao duo autoral Avenoar. A dupla lançou um álbum, gravou clipes e chegou a dar entrevistas para programas de TV.

A TV também foi essencial para projetar a cantora. Ela fez parte do elenco do programa The Four Brasil em 2019 e, em 2021, brilhou na 10ª temporada do The Voice Brasil. Durante a etapa de audição às cegas ela conquistou os jurados ao interpretar o clássico Moon River, e integrou o time do cantor Lulu Santos.

“Eu dizia que nunca iria participar de um reality show. Acho que arte não se compara, música não se compara. E acabei participado de dois bem emblemáticos”, pondera.  

Ela elogia a alta qualidade, profissionalismo e o trabalho duro que viu nos bastidores de ambas as produções. E constatou o impulso que uma passagem por estes shows confere para qualquer carreira. “Para quem canta, o The Voice é quase uma carteira de trabalho de cantor, é um tipo de “check”: “Ah, então talvez essa pessoa cante bem”. Depois que você participa, parece que as pessoas dão moral. Confesso que eu não imaginava que gerava tanto feedback para os participantes. Sua família, seus amigos dizem: olha onde ela chegou, olha minha amiga na TV. A visibilidade é bem ampla”, relata.


Discografia inclui parceria com Zeca Baleiro

O trabalho autoral da cantora transita de forma fluida entre o pop contemporâneo, o jazz e a Nova MPB. Suas faixas acumulam milhares de reproduções nas plataformas digitais. As mais tocadas incluem Pessoa Inesperada, Tanto Faz, Desacelerar  e a versão acústica de Meu Norte, disponíveis no Spotify.

Estre ano saiu em todas as plataformas Entre Amores e Danos“, um dueto sensível e intimista com Zeca Baleiro que aborda as contradições do afeto e do acaso. “Essa música foi um marco na minha carreira. Uma parceria muito especial”, avalia. A composição foi feita em algumas horas em parceria com os amigos Deco Martins, da banda Hotelo, e a cantora LIA. Coube a Zeca Baleiro imprimir sua assinatura poética característica e sensível. “Esse single tem aberto portas, porque o Zeca é um cara muito querido no meio da música, na imprensa e está me trazendo bons frutos”, diz ela.

De perfil multitarefa, conectada com as engrenagens da indústria e focada em tocar o público por meio de crônicas sinceras sobre o amor e o cotidiano, Carol Fincatti figura entre a nova geração de cantautoras brasileiras. Sua sonoridade intimista, suave e predominantemente orgânica transita pela fusão entre a Nova MPB e o Pop Leve. As composições trazem letras reflexivas sobre relacionamentos contemporâneos e vulnerabilidade, envoltas em melodias acolhedoras e arranjos acústicos.

“Acho que posso definir me definir como ‘artista’ porque um artista precisa saber de tudo e fazer de tudo”, diz ela. Esse tudo inclui criar conteúdo, compor músicas e tocar instrumentos, entender um pouco de produção musical e conhecer a lógica dos festivais, dentre outras habilidades. “Divido as minhas horas do dia entre muitas “Carolinas”. Acho que se a gente englobar tudo como “artista” talvez faça mais sentido.”

Confira abaixo a entrevista completa no Podcast MPB Unesp.