“Estamos conseguindo transformar protocolos de intenção e convênios em ações efetivas”, diz coordenador do escritório Connect-China da Unesp em podcast

Novo episódio do “Conexão China” apresenta as parcerias estabelecidas pela Universidade com instituições chinesas e discute os resultados de uma pesquisa que comparou as diferenças no ambiente de trabalho nas fábricas em cada um dos países.

A China é responsável por cerca de 18% do produto interno bruto global. Em pouco mais de quatro décadas, o país asiático retirou 770 milhões de pessoas da pobreza extrema e se consolidou como um dos principais polos industriais e tecnológicos do planeta. O Brasil é um parceiro econômico e científico estratégico para o país asiático, e essa aproximação tem contribuído para que a Unesp consiga ampliar e fortalecer colaborações de destaque com universidades chinesas.

O avanço econômico da China e as parcerias universitárias foram tema do terceiro episódio do Conexão China, podcast publicado quinzenalmente nas plataformas de áudio da Unesp. Os convidados foram Jorge Muniz Júnior, professor da Faculdade de Engenharia e Ciências da Unesp, no câmpus de Guaratinguetá, e Luiz Fernando Rolim, professor do Instituto de Biociências da Unesp, no câmpus de Botucatu, e coordenador do escritório Connect-China. 

Muniz Júnior conduz, desde 2015, estudos sobre organizações e trabalho em fábricas instaladas no Brasil e na China. Seu objetivo é compreender como fatores culturais influenciam a rotina dos trabalhadores e a adoção de novas tecnologias. Durante a conversa, o pesquisador elenca duas características que definem os trabalhadores chineses: o face management, caracterizado pelo hábito de não se expor aos superiores e manter uma formalidade, e o costume de cultivar boas relações para alcançar o crescimento profissional. Já os brasileiros são mais informais em suas relações com seus superiores, mas também procuram cultivar seus relacionamentos profissionais de olho em dividendos na carreira. 

Quando o tema é desenvolvimento econômico e tecnológico, as diferenças entre Brasil e China gritam. Os investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento giram em torno de 2,6% do PIB, enquanto no Brasil esse índice é de aproximadamente 1%, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Muniz Júnior explica que a China realiza uma série de ações voltadas ao desenvolvimento nacional, com o governo apoiando financeiramente as organizações, o que contribui para esse destaque no mercado. 

Na questão do desenvolvimento tecnológico, o professor destaca o potencial da China em integrar universidades, empresas e políticas públicas, algo pouco visto no contexto brasileiro. “Existem [no Brasil] políticas públicas, há investimentos fragmentados. Mas a universidade ousa pouco para sair de uma zona de conforto dos indivíduos ou dos grupos de pesquisa. As empresas, por outro lado, também assumem pouco risco. Porque pesquisa é risco, você vai para um território desconhecido. Acho que precisamos amadurecer esses elementos”, avalia. 

Atuação do escritório Connect-China

Rolim, por sua vez, comentou sobre os trabalhos realizados no escritório Connect-China, criado para prestar apoio às colaborações entre pesquisadores da Unesp e seus pares nas universidades chinesas. O escritório é formado por um comitê científico que envolve representantes das pró-reitorias da Unesp, da Assessoria de Relações Externas da universidade (AREX), do Instituto Confúcio e do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI).

A Unesp possui, atualmente, 32 instrumentos legais de convênio vigentes. Desses, dez são da Universidade de Hubei, em Wuhan, que já é parceira do Instituto Confúcio da Unesp há 18 anos. “As parcerias com a China se traduzem na concepção de projetos, na criação de equipes, na estruturação das hipóteses e propriamente na execução dos projetos. Nessa interação Sul-Sul, a Unesp tem muito mais protagonismo”, explica Rolim ao comparar a parceria entre Brasil-China com os convênios que envolvem países norte-americanos ou europeus. 

A Unesp deve receber estudantes chineses em regime de cotutela, em que o aluno desenvolve sua pesquisa de mestrado ou doutorado sob a responsabilidade de dois orientadores (um no Brasil e outro no exterior). Estão envolvidos na parceria os programas de pós-graduação em economia, relações internacionais, educação e letras, além de estudos linguísticos. Estudantes e docentes da Unesp poderão ir à China, dentro desse mesmo regime, para estudar língua e literatura chinesa, ensino internacional da língua chinesa, negócios internacionais, administração de empresas, entre outras.

O professor avalia que a questão diplomática entre Brasil e China faz parte de um plano de governo do país asiático de ampliar suas fronteiras científicas, e que o Brasil acabou sendo o escolhido na América do Sul para tal. A Universidade tem respondido bem às investidas:  “Estamos conseguindo transformar protocolos de intenção e convênios em ações efetivas que de fato sejam capazes de transformar a perspectiva do estudante e o nosso ambiente acadêmico”, reflete Rolim. 

O escritório Connect-China busca contribuir institucionalmente para que a execução de parcerias ocorra de maneira organizada, com a melhor estrutura possível. “É uma forma de mostrarmos para as universidades chinesas que a Unesp está pronta, a Unesp está preparada, e a Unesp é sim um parceiro. Toda essa organização vai fazer a diferença no nosso futuro”, finaliza o coordenador.

O Conexão China está disponível nas principais plataformas de áudio. Também é possível escutar o novo programa clicando no player abaixo: