Rafael Fernando dos Santos ingressou na zootecnia da Unesp em 2005 e, desde que concluiu o curso, em 2009, construiu uma trajetória bem sucedida que transitou entre o mercado e a academia. A escolha da carreira combinou experiências de infância vividas dentro de sítios e fazendas com o interesse pelo empreendedorismo: certo dia, quando ainda era um vestibulando, Rafael leu no Guia do Estudante que o câmpus de Botucatu oferecia um curso de zootecnia e abrigava diversas empresas juniores. A decisão de se tornar um unespiano estava tomada.
Logo no segundo ano da graduação, Rafael ingressou como membro diretor da Nutrir, empresa júnior de nutrição de ruminantes, a qual se dedicou intensamente durante sua vida universitária. A experiência estimulou o estudante a já ingressar no mercado de trabalho logo após a conclusão do curso. Focado em ações de assistência técnica rural, produção de conteúdo temático e organização de eventos, Rafael priorizou o seu CNPJ e deixou a oportunidade de um mestrado em segundo plano. O retorno à academia ocorreu em 2013, após conversa com um docente da Universidade, que sugeriu que Rafael levasse sua empresa para a incubadora tecnológica localizada no câmpus de Botucatu.
Aprovado no processo seletivo da incubadora e próximo do ambiente universitário novamente, o empresário começou a entender melhor o ecossistema das jovens empresas, e se deu conta de como a ciência e a pesquisa são fundamentais para viabilizar a inovação e o empreendedorismo. Esse entendimento se tornou uma motivação para continuar sua formação acadêmica e ingressar no mestrado, onde propôs uma pesquisa focada em inovação. O projeto, que focou na gestão e governança de cadeias agroalimentares junto a uma cooperativa no Paraná, acabou sendo contemplado para receber financiamento do programa PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da Fapesp, iniciativa que apoia pesquisas tecnológicas em pequenas e médias empresas.
Com o apoio da agência de fomento paulista, Rafael consolidou um modelo de governança e rastreabilidade de cadeias agroalimentares e, ao final do programa, propõs um convênio entre a sua empresa, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e uma empresa neozelandesa. A parceria, que durou cinco anos, viabilizou de forma inovadora a rastreabilidade de cadeias agroalimentares por meio de QR Codes, e embasou a realização do seu projeto de doutorado, bem como um projeto de mestrado e orientações de Trabalhos de Conclusão de Curso. “Eu terminei minha pesquisa acadêmica em 2023, mas não parei de pesquisar. Eu trabalho no mercado, mas continuo participando de editais de inovação e desenvolvendo sistemas de gestão informatizados. Tudo com o intuito de pegar o que tem de melhor do conhecimento científico e adaptar isso para o mercado”, afirma.
Rafael é sócio fundador da CordeiroBIZ, empresa de consultoria em cadeias agroalimentares, aberta em 2011. Por meio dela e dos programas de inovação, teve oportunidades de viajar para Nova Zelândia e participar de um programa de inovação em Londres, além de viajar o Brasil inteiro. Atualmente, ele participa de um programa da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) de Brasília para desenvolver o AgroBR, iniciativa voltada para apoiar a exportação por pequenos e médios produtores rurais. No programa, Rafael pode aplicar e transmitir seu conhecimento em gestão de cadeias, relações internacionais, comércio exterior, tecnologia da informação e IA, trabalhando com diversas cadeias como mel, laticínios, frutas e café.
Ao refletir sobre a importância da Unesp em sua vida pessoal, Rafael ressalta que a universidade, bom como a educação em geral, foram um divisor de águas, mudando os rumos de sua vida em termos de conhecimento, profissão e situação financeira. Como experiência mais marcante, ele cita a participação na empresa júnior, onde aprendeu liderança, gestão de equipes e como lidar com produtores rurais e gerentes de multinacionais, aspectos que considera a base de sua formação e que, segundo ele, não costumam ser ensinados na grade curricular.
Como uma reflexão para os jovens que estão terminando sua formação universitária, Rafael orienta que nunca se limitem a fazer o mínimo, mas busquem ir além do que é obrigação, tanto na graduação quanto depois de formados. “O profissional que realmente vai fazer a diferença é aquele que vai extrapolar o que é básico. A faculdade é um norte, mas o profissional quem constrói é você”, afirma. Para ele, essa atitude próativa também vai ajudar o estudante a se preparar para o mercado de trabalho, entendendo quais são suas áreas de atuação preferidas ou estabelecendo contatos com profissionais mais experientes, por exemplo. “Quanto mais cedo o estudante pisar fora do ambiente acadêmico e entender essa realidade do mercado de trabalho, menor será o risco em sua profissão”, finaliza.
Confira abaixo a entrevista completa do podcast Universo Profissional:
