UNESP 50 anos: ciência, formação e presença no território paulista

Transcorrido meio século desde a sua criação, a Universidade amadureceu e se tornou referência de instituição acadêmica de perfil multicâmpus. Mas permanece fiel à sua vocação original: atuar, com qualidade e responsabilidade, na difusão do conhecimento. Na sala de aula e no laboratório, na escola pública e na empresa nascente, a Unesp se reconhece, e é reconhecida, como agente de transformação.

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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) chega ao seu cinquentenário consolidada como uma das maiores e mais relevantes instituições públicas de ensino superior da América Latina e do mundo. Criada oficialmente em 30 de janeiro de 1976, a partir da unificação de institutos isolados de ensino superior do estado de São Paulo, a Universidade transformou a realidade do ensino, pesquisa, extensão, inovação, arte e cultura. Isto ocorreu, desde a sua origem, por meio de uma estratégia de alcance territorial, que buscou promover o desenvolvimento regional e a democratização do acesso ao conhecimento.

Passados 50 anos, este projeto amadureceu e se tornou referência de universidade multicâmpus, articulando excelência acadêmica, diversidade e compromisso com a ciência. Muito desse êxito se deve aos pilares que fundamentam nossa missão institucional: autonomia, inclusão e impacto. A autonomia administrativa e acadêmica, fruto da luta da Unesp juntamente com outras universidades estaduais paulistas, representa nosso maior bem. Uma universidade se constrói sob a égide da liberdade de pensar e produzir conhecimento, sem as amarras de posições políticas ou ideológicas.

Um segundo ponto de relevância, que tem sido uma marca dos últimos anos, refere-se à questão social. A Universidade vem quebrando o estigma clássico de que as universidades públicas do Brasil representam espaços exclusivos de elites. A Unesp, hoje, possui políticas de ações afirmativas voltadas a estudantes oriundos de segmentos da sociedade que enfrentam barreiras sociais e econômicas.

Por fim, uma universidade pública precisa realizar entregas de grande impacto. A inclusão social, por si só, forma profissionais diferenciados, que melhor representam e compreendem a população. Entretanto, para além disso, o conhecimento de vanguarda – obtido pela conectividade social e pelos centros de inovação – pode proporcionar cada vez mais qualidade de vida às pessoas, a exemplo do papel desempenhado pela Universidade durante a pandemia da Covid-19. A Unesp consegue realizar tudo isso por meio de uma vasta rede de unidades universitárias e centros de pesquisa que se estende por 24 municípios situados em todo o território do estado de São Paulo.

Cinco décadas depois, a Unesp permanece fiel à sua vocação original: estar presente, com qualidade e responsabilidade, na difusão do conhecimento. Na sala de aula e no laboratório, no hospital e na praça, no ateliê e no campo experimental, na escola pública e na empresa nascente, a universidade se reconhece e é reconhecida como agente de transformação. Que os próximos 50 anos tragam ainda mais ciência que salva vidas, formação que emancipa, arte e cultura que sensibilizam e tecnologia e inovação que ampliam oportunidades. A Unesp, patrimônio do povo paulista e brasileiro, tem na sua história — e sobretudo na sua presença cotidiana — a melhor prova de que a universidade pública é um projeto de futuro.

Maysa Furlan é Reitora da Unesp. Cesar Martins é Vice-reitor da Unesp

Publicado originalmente no Jornal Folha de São Paulo