Instituto de Artes recebe o Quinto Encontro de Violões Usp, Unesp e Unicamp nos dias 5 e 6 de setembro

Programação gratuita inclui recitais de estudantes das três instituições, palestras, lançamento de livro e apresentação do violonista italiano Luigi Attademo

Durante os dias 5 e 6 de setembro, o Instituto de Artes da Unesp em São Paulo irá sediar o Quinto Encontro de Violões USP, Unesp e Unicamp. O evento  busca apresentar a produção musical dos alunos dos cursos de bacharelado e licenciatura, nos níveis de graduação e pós-graduação, das três universidades públicas paulistas.

A programação inclui recitais, lançamentos de livros e palestras abordando os desafios ligados à interpretação musical e ao processo de gravação do instrumento, além das mais recentes descobertas feitas nos arquivos de um dos mais talentosos violonistas de todos os tempos, o espanhol Andrés Segóvia (1893 – 1987).

Luciano Cesar Morais e Silva, docente do Departamento de Música do IA Unesp e coordenador da edição 2025 do Encontro, relata como concebeu o primeiro destes eventos. “O Encontro acontece desde 2017. Inicialmente, tive a ideia de organizarmos uma reunião da qual participassem os alunos de violão clássico de bacharelado das três universidades estaduais paulistas. Eventualmente, vieram também os estudantes de licenciatura, graduação e pós-graduação”, diz Silva.

Os cursos que estas três universidades oferecem nas áreas de Teatro, Artes Plásticas ou mesmo de Música são bastante conhecidos, pondera o docente, mas isso não vale para as habilitações que tem o violão como foco. “E o violão é um instrumento que se destaca por certas peculiaridades sociais e históricas”, lembra ele.

Outro ponto favorável para propor uma reunião é a proximidade geográfica entre as universidades. O Instituto de Artes da Unesp e Escola de Comunicação e Artes da USP estão localizados na capital paulista. Em Ribeirão Preto fica o Departamento de Música do câmpus da USP naquela cidade, e Campinas abriga o câmpus da Unicamp. “Sugeri que juntássemos esse pessoal para fazer circular as produções, as ideias, pois a troca é muito importante. Assim nasceu o primeiro encontro”, diz.

Silva conta que a primeira edição trouxe uma homenagem à Mayara Amaral, violonista que era considerada uma das promessas da nova geração de instrumentistas no Brasil, e que faleceu por feminicídio no Estado do Mato Grosso do Sul.

“Fizemos um encontro para honrar a memória dela e, ao mesmo tempo, colocar em pauta a questão da proteção às mulheres e da desigualdade de gênero no violão. O violão é um instrumento muito masculino. A presença de homens é muito forte, é difícil encontrarmos mulheres violonistas. E a Mayara era uma pessoa maravilhosa, uma violonista exemplar e uma pessoa que, realmente, tinha muito a contribuir. Organizamos o primeiro encontro para celebrar sua memória, discutindo a produção acadêmica que ela construiu”, diz.

O docente ressalta que um dos diferenciais do evento está justamente em sua busca por lançar um olhar mais amplo para a produção musical ligada ao instrumento de seis cordas.

“Como estamos dento da universidade, é obrigatório, mas também é natural, que a gente examine as produções dentro de um contexto histórico, social. É preciso lembrar que as artes estão situadas dentro de uma grande área chamada “Artes, Linguística e Humanidades”. Estamos dentro das Ciências Humanas. Usamos esta contingência para propor discussões que realmente interessem a nós, artistas. Qual é a arte que fazemos? Quais são as nossas heranças históricas? Como podemos impactar a sociedade de forma efetiva?”, pondera.

Convidado internacional


Nesta edição, o encontro irá contar com a presença do violonista italiano Luigi Attademo. O músico e pesquisador trabalhou no arquivo da Fundación Andrés Segovia, que fica na cidade de Linares, na Espanha. Lá, descobriu alguns manuscritos desconhecidos de importantes compositores, como Jaume Pahissa, Alexandre Tansman, Gaspar Cassadò e outros.

Silva conta que a vinda do instrumentista italiano está ligada a uma turnê que ele está realizando, e que passaria por São Paulo. “Ele me escreveu perguntando se haveria algum espaço no qual pudesse apresentar  uma masterclass ou alguma atividade didática. Temos muito que agradecer o apoio do Instituto Italiano de Cultura e do IA por propiciar o espaço para que ele ofereça as atividades que estão na programação. Estamos recebendo com muita gratidão, e torcendo para que apareçam outras possibilidades e parcerias nestes moldes no futuro”, diz o docente.

Programação

Durante os dias do encontro, o IA estará de portas abertas para os participantes e o público em geral. Serão dois dias de atividades gratuitas, algumas direcionadas aos acadêmicos e outras acessíveis a qualquer pessoa interessada em participar, ou que goste de violão. Dentre os docentes que irão participar estão Edelton Gloeden, da USP, Gilson Antunes, da Unicamp, e Gustavo Costa, da USP de Ribeirão Preto.

“O Edelton é um dos principais nomes do violão no Brasil. É fundador do curso de violão da USP em 1986, e nosso decano mais influente. O Gilson vai tratar de produção de repertório. Já o Gustavo traz uma técnica virtuose diferenciada, e com sólida atuação internacional”, destaca Silva.

No dia 5 ocorre uma palestra para marcar o lançamento do livro “25 Estudos melódicos e progressivos de Carcassi: uma análise mecânica”. A obra foi escrita a quatro mãos por Gloeden e por Cauã Canilha, e é uma publicação da Edusp e da UDESC.

“Esse livro trata de uma produção muito importante do século 19. O violão é muito reconhecido como instrumento de acompanhamento de canções. Carcassi viveu entre 1792 e 1853, e se preocupou em dar ao violão uma cara que lhe permitisse apresentar peças autonomamente. O trabalho do Cauã e do Edelton aborda essa tentativa, que não foi a primeira, mas que se tornou a mais difundida, de transformar o violão em um instrumento melódico”, diz.
 
Após a palestra, ocorrerá um recital com apresentações de alunos da Unesp. Serão oito apresentações em sequência, totalizando cerca de 1h20 de concerto, mostrando a produção do Instituto de Artes. Na parte da tarde haverá um  recital com estudantes da USP de Ribeirão Preto e da Unicamp, seguido por apresentação com alunos da USP da capital. Às 19hs ocorre a apresentação de Luigi Attademo.

A programação do dia 6 de setembro será a seguinte: a masterclass e palestra de Luigi Attademo; palestra de Jéssica Messias intitulada “Contextualização e Análise da Suíte Brasileira n.4 de Sérgio Assad e seu processo na construção de uma performance”;  e palestra de Thiago Abdalla, da USP, intitulada “A presença do violão clássico na história da gravação musical: aspectos históricos e tecnológicos”.

Luciano Cesar Morais e Silva diz que um dos objetivos do Encontro é ajudar a diminuir a distância que separa a academia da sociedade ao redor.

“O objetivo principal desse encontro é compreendermos que não estamos sozinhos. Esse amor que a gente sente pelo violão, pela música, é compartilhado por muitas pessoas, de diversas matizes culturais, para as quais o violão é um componente essencial. O violão está em todo lugar, é um símbolo da música popular em vários países, e portador de heranças históricas e culturais muito diversas. A nossa intenção é encontrar um denominador comum a partir do qual nós possamos compreender linguagens de um ponto de vista que mistura um pouco arte e ciência”, explica

“O encontro interessa à toda a sociedade. Os institutos e departamentos produzem beleza, identidade, cultura e valores humanistas. E é nesse sentido que queremos que os encontros sejam cada vez mais abertos para nossas comunidades”, diz.

O Instituto de Artes da Unesp fica localizado na Rua Bento Teobaldo Ferraz, 271, próximo ao metrô Barra Funda – SP. Todos os eventos serão na Sala Ricardo Kubala (sala 108), gratuitos e abertos ao público. Mais informações podem ser obtidas pelo canal no Youtube “Conversa de Violonista Luciano Morais” e pelo telefone do instituto: (11) 3393-8530.

Confira abaixo a entrevista completa ao Podcast MPB Unesp.