Parceira do EGCE Unesp, organização “Na Prática” oferece formação e treinamento a jovens que vivem a passagem da universidade para o mercado de trabalho

Líder da organização, Anamaíra Spaggiari é a convidada da nova edição do podcast Universo Profissional.

Em um contexto em que as instituições de ensino superior muitas vezes se limitam a abordar o aspecto teórico das diversas atividades profissionais, é comum que milhares de jovens brasileiros que se formam enfrentem um mesmo desafio: como aplicar o conhecimento adquirido aos problemas do mundo real? É no preenchimento desse vácuo que separa a formação teórica da prática profissional que a organização “Na Prática” tem feito a diferença na carreira de inúmeros universitários e recém-formados, estabelecendo uma ponte entre o potencial dos jovens talentos e as exigências reais das empresas.

Criado pela Fundação Estudar em 2012, o Na Prática surgiu como uma plataforma de educação profissional cujo objetivo é impulsionar a carreira de jovens, desde o estágio até funções de liderança, complementando o ensino universitário com uma formação voltada para o mercado de trabalho. Desde setembro de 2024, a organização é parceira em ações junto ao Escritório de Gestão de Carreiras e Egressos da Unesp.

Mais do que um portal de cursos, a iniciativa atua como um ecossistema de desenvolvimento profissional, preparando indivíduos para trajetórias que vão dos primeiros estágios às posições de liderança.

Em novembro de 2024, a plataforma passou por um marco importante em sua história ao ser incorporada ao braço filantrópico do banco BTG Pactual. Essa mudança resultou em uma multiplicação de seus recursos e de seu alcance, democratizando o acesso à educação de qualidade no Brasil.

Entre os serviços mais procurados pelos jovens profissionais estão os cursos online gratuitos que abordam temáticas como Inteligência Emocional, Comunicação Assertiva, Storytelling de Impacto e Preparação para Entrevistas. O diferencial da plataforma está na sua metodologia, prática, direta e objetiva.

Formar jovens comprometidos com o país

A CEO da organização Na Prática, Anamaíra Spaggiari, atuou pessoalmente na formação de jovens durante a transição da universidade para o primeiro estágio, e do primeiro estágio para a primeira liderança. Para esta etapa, são oferecidos cursos focados em competências como autoconhecimento, definição de objetivos profissionais, empreendedorismo, protagonismo e construção de redes de apoio. “Nos primeiros 11 anos de história, o Na Prática levava essa formação diretamente aos jovens”, conta Anamaíra. “Em 2025, a organização passou a atuar por meio das universidades, especialmente públicas”, explica.

Formada em jornalismo, Anamaíra diz que, embora o Brasil possua cerca de 10 milhões de universitários, dos quais 3 milhões estudam em universidades públicas, o quadro geral é de elevada evasão e de uma média de acesso ao ensino superior que fica bem abaixo do que é registrado nos países da OCDE. “Nosso objetivo é formar um capital humano mais competente e comprometido com o país”, explica.

O Na Prática selecionou 25 universidades em todas as regiões brasileiras e faz questão de buscar essa abrangência. “Acreditamos que é preciso desenvolver o país regionalmente, superando a centralização em São Paulo e nos estados do Sudeste”, destaca Anamaíra.

A organização propõe um calendário de atividades tanto presenciais quanto online, que inclui conferências de carreira com mais de 20 empresas de diferentes indústrias. O resultado, segundo a CEO, é que os jovens conseguem escolher melhor a área em que querem se inserir, relatam maior satisfação profissional e alcançam uma remuneração acima da média.

Diferenças entre o Brasil e os EUA

Anamaíra estabelece uma comparação entre os brasileiros matriculados nas melhores universidades dos Estados Unidos e os que estudam nas universidades públicas mais reputadas do Brasil. Na sua avaliação, a diferença na formação acadêmica recebida entre os dois grupos é pequena. No caso do desenvolvimento de habilidades de liderança, socioemocionais, de negócios e de empreendedorismo, no entanto, a discrepância é grande.

“Percebemos que os brasileiros que estudavam nessas universidades americanas possuíam uma capacidade de comunicação maior, mais autoconfiança, uma visão de negócios e de oportunidades de trabalho mais ampla, porque estavam interagindo com o mercado desde antes”, explica. Daí a proposta do Na Prática de complementar a formação dos estudantes no Brasil e diminuir esse descompasso.

Anamaíra destaca o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho atualmente. Ela relembra transformações tecnológicas anteriores, como a Revolução Industrial e o advento do computador e da internet. Todas resultaram em um aumento da produtividade e na demanda por trabalhadores com novas habilidades. Não resultaram, no entanto, na exclusão total de trabalhadores. A partir desses exemplos, ela enfatiza a importância de que os estudantes aprendam a lidar com a IA, entendam o seu funcionamento e saibam utilizar essas ferramentas com pensamento crítico.

“As habilidades básicas de inteligência artificial vão ser interessantes para todo tipo de jovem profissional. As outras habilidades complementares, que vão ser tão importantes quanto, ou ainda mais importantes daqui para frente, permanecem sendo o pensamento crítico, a liderança, as habilidades socioemocionais e a criatividade. Esses são quatro aspectos que a inteligência artificial não consegue resolver”, diz Anamaíra.

Todas as referências são importantes

A CEO destaca ainda a importância de exemplos de trajetórias para orientar escolhas de carreira, afirmando que a ausência de bons referenciais de liderança pode limitar a visão do jovem. Por isso, a organização traz convidados mais experientes para contar suas trajetórias, mostrando que não são lineares e que envolvem altos e baixos.

“Toda referência de liderança, não importa o quão nova ou sênior, ajuda o jovem a aumentar sua crença de que as coisas podem ser melhores e diferentes”, relata. Em 2024, o Na Prática lançou, com a revista Exame, o Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário, que identifica universitários com comportamento empreendedor e resultados de protagonismo. São escolhidos cinco ganhadores, um de cada região do Brasil, que são reconhecidos na revista Exame e ganham uma imersão de uma semana na China. O prêmio, segundo Anamaíra, foi criado para oferecer referências próximas em idade, região e oportunidade.

O Na Prática oferece cursos gratuitos dentro da Unesp e de outras universidades, como o curso “Carreira de Excelência: da Universidade ao Mercado de Trabalho”. Também realiza a Conferência Na Prática em São Paulo duas vezes por ano, uma feira de carreira que oferece um pré-treinamento e faz uma pré-seleção dos jovens. Anamaíra afirma que 45% dos participantes decidem sua carreira nesse dia e 20% conseguem emprego ainda na conferência.

Para quem já está formado, há programas como Execução de Alta Performance e Liderança Transformadora, além de cursos online gratuitos sobre inteligência artificial, inteligência emocional, comunicação, gestão de tempo e preparação para processos seletivos, disponíveis no portal NaPratica.org.br.

“Dois terços da nossa vida serão passados trabalhando. O ideal é que seja em um lugar onde as pessoas se identifiquem com a entrega do seu trabalho, com o ambiente, com a forma de trabalhar e se sintam realizadas por aquilo que conseguem entregar”, conclui.

Confira abaixo a entrevista completa ao Podcast Universo Profissional.